terça-feira, 27 de Janeiro de 2009

Shift + Del

Rasguei aos pedaços o tempo que passámos juntos.

Agarrei, rasguei
limpei as lágrimas que me escorriam pelo rosto.
Peguei no monte de cartas, poemas e fotografias rasgadas
e espezinhei.

Mandei tudo pela janela, num acto de revolta.
Que me interessa que eles vejam e olhem para mim
com um ar desconfiado.

Agora posso gritar ao mundo que já me livrei desta raiva,
que era tudo aquilo que me fazia sofrer.

"Olha! Olha como está louca aquela pessoa!"

E comecei a rir-me de tudo,
das pessoas,
dos montes de bocados de papel de cartas,
de poemas com palavras gastas,
das fotografias.

E como aquilo voava em rodopio por causa do vento nocturno.
E eu ria-me
porque a minha raiva estava ali a voar.

Tinha finalmente conseguido livrar-me dela.

Sabes que me faria rir ainda mais?
Tu passares diante da minha porta,
e veres tudo aquilo.

Mas não vou ter esse prazer.
Já não voltas, pois não?

Não entendas isto como uma tristeza.
Estou muito feliz;

Feliz por dizer que já não te odeio,
nem que te amo.

ÉS-ME TO-TAL-MEN-TE IN-DI-FE-REN-TE

É a demência que me faz ser assim.


Demente, mas livre.

terça-feira, 20 de Janeiro de 2009

Amor-te (O Desenho)


Sempre me foi difícil mostrar os sentimentos.
A questão é que nem é bem mostrar, porque mostrar é fácil,
as pessoas podem é não entender.

Mas falo de dizer coisas bonitas.
De admitir que realmente se gosta.
De por de lado o orgulho ou a frieza.

Dormi.
Sonhei.

Acordei sobressaltada.

O medo de te perder, subiu-me pela espinha
como um arrepio de frio, daqueles que nos fazem pensar que raio de espírito maligno nos assombra.


No meu sonho não havia sol,
nem chuva,
nem nem frio,
nem calor.
Nem ar.

Por conseguinte...
Nem vida.

Agora, tenho novamente medo de adormecer, por ter medo de morrer.


A morte perseguiu-me incansavelmente por todo o sonho,
por uma estrada sem fim,
onde nada parecia real,
onde tu não estavas.


E então, como posso despedir-me do meu grande amor?
Dizer-lhe tudo o que sinto...
...finalmente?

Admitir, que ele é toda a razão pela qual eu tenho vivido até agora...
...finalmente?

Mostrar-me arrependida por nunca lhe ter mostrado o suficiente?


Acordei.
Ao que parecia, não havia respostas para mim.
Não naquele sonho.
Mas talvez as encontrasse na vida.


Levantei-me,
molhei a cara com água fria.
O meu rosto ainda tinha a mesma expressão pálida, apática.

Até que decidi escrever tudo aquilo que se tinha passado.


"Meu Grande Amor...

Dormi. Sonhei. Acordei sobressaltada. O medo de te perder, subiu-me pela espinha como um arrepio de frio, daqueles que nos fazem pensar que raio de espírito maligno nos assombra.

(...)

E por isso te escrevo em voz baixa, para não acordar a morte.

Até Sempre."

sábado, 10 de Janeiro de 2009

Amor-te (O Esboço)

Agora, tenho novamente medo de adormecer, por ter medo de morrer.
E por isso te escrevo em voz baixa, para não acordar a morte.








(Depois escreverei o resto, isto é só para me obrigar a escrever..)

sábado, 3 de Janeiro de 2009

Apetece-me


"Hey! Vem ver! Olha que bela vista."


E ela lá foi.
Olhou de novo, só porque lhe apetecia olhar de novo.
Ver o que já viu, já sentiu, já ouviu.
Ver o verde amontoado,
Sentir sol que lhe aquecia o corpo dormente,
Ouvir o vento a sussurar-lhe os segredos da vida.

- Estás pronta?
- Para quê? - retorquiu assustada, por não saber de onde vinha a voz
- Para mergulhares no teu subconsciente.
- No meu sub...AAAAAAHHHHHHHHHH

Não houve tempo.
Ou sim, ou sim.
Quando nos propõem algo do género não podemos dizer que não !

- Aqui estou, olha para mim! Não tenhas medo. Só precisas de reflectir. Sente-te à vontade comigo, afinal, faço parte de ti.
- Reflectir sobre o quê?
- Sobre o que quiseres. Observa de novo a paisagem à tua volta, e entrega-te a uma jornada de divagação !
- Aceito.


Hoje apetece-me olhar p'ra ti
Apetece-me ver aquilo que já vi,
Aquilo que não me canso de ver,
Aquilo que me faz brilhar os olhos quando digo o teu nome
Aquilo que me faz sorrir quando só me apetece chorar.

E penso,
Penso no teu olhar, no teu toque,
Penso que me fazes sentir bem.
Sabes, gostava de te poder dizer isto,
Mas tenho medo,
Medo do que possa acontecer,
Medo de vir a sofrer,
Por não te ter,
Por não te ver,
Por não te sentir.

Por não sentir
Aquilo que só tu me provocas
Aquela sensação de que tudo é perfeito
Nada disto poderia acontecer se não estivesses presente,
pelo menos, dentro de mim.


E voltou à superfície como um corpo morto.
A introspecção obriga-nos a entrar dentro de nós,
e para isso...Para isso temos de morrer.




Mas o tema é o amor, de novo...?

terça-feira, 25 de Novembro de 2008

Contrariedades


[...]Fechei os olhos para não te ver partir
Por sorte, e por mais que fosse contra a minha vontade,
não o fizeste.



As roupas rasgavam-se de raiva
E as palavras eram atiradas como pedras, e doíam,
doíam contra a pele queimada pelas ácidas lágrimas.

"A tua língua é fel! Que a mordas para sentires a amargura que tudo isto tem sido."


E já levantávamos a mão para nos batermos,
mas aí, viraste as costas para te ires embora,
e eu Fechei os olhos, para não te ver partir.

Não o merecia,
Mas Por sorte, e por mais que fosse contra a minha vontade,
não o fizeste.
Voltaste como se nada tivesse acontecido e
abraçaste-me,
e eu afastei-te, mas não valia a pena porque iria haver sempre o perdão,
e tu não me largavas,
e eu orgulhosa, lá deixei, e também te abracei.

Que raiva! - pensei, enquanto cerrava os punhos;

O amor tem sempre mais força, não é? - respondeu, como que lendo os meus pensamentos



Demos as mãos e corremos pela chuva,
que ia deixando de cair à medida que o nosso estado de espírito se diluía.


Haveremos de tropeçar em mais buracos, e cair.
Mas teremos sempre uma mão a dar-nos ajuda para nos levantarmos.

"- E o orgulho, que lhe fazemos?
- Utiliza-o para alturas em que seja preciso, porque no amor, o único orgulho que deveríamos ter,
é o orgulho de nos termos."


sábado, 22 de Novembro de 2008

Linhas Cruzadas

Saí de mim, naquela noite, e fugi para o labirinto da escuridão.


Os meus olhos não viam, só os meus ouvidos ouviam.
Perdi-me nos meus passos, tentando lembrar-me de um caminho...
De um caminho que me levasse à felicidade.
Mas não o encontro.

Não me encontro.
Quanto mais avanço, mais me perco neste turbilhão de sentimentos.

Até que sinto a presença de alguém...
Tu no meu labirinto?
Talvez...Talvez até estejamos perdidos no labirinto um do outro e não sabemos o caminho de volta.

Também não me vias. Mas sentias o mesmo que eu.
Sentias que nos sentíamos.
Sentias que ambos tínhamos de estar ali. Sabias que era o nosso destino.
Sabias que nos tínhamos de perder, para nos voltarmos a encontrar.

E só assim o descobrimos.
Só assim descobrimos o amor, perdido no labirinto.

sábado, 30 de Agosto de 2008

Ele, quem?


E quando sentires o ar a sufocar, não te interrogues.
Deixa-te morrer...
O ar não estava a passar, estavas a morrer.
Tens razão, ele não te avisou.
Mas eu avisei-te.
Mas de que te vale?
Já estás a morrer.
Morreste.

Morreste-me e não houve quem tivesse piedade, "porque não mereces o ar que respiras" -
- disse ele.

Sabes? Ainda vais a tempo de te vingar.
Não aqui nem agora, porque morreste.
Morreste sem antes te vingares de mim.
Porque ele também me matou, e também não me avisou.
E outrora também me tentaste avisar, mas tardiamente.

Porque não aprendeste?
Porque morreste?
Odeio-te por me teres avisado.
Odeio-te por te ter avisado.
Porquê?
Porque é que isto é um ciclo sem fim?
Porque é que morremos arrependidos, com raiva, com ódio?

Porque sem sabermos, eu já te odiava.
E tu já me odiavas
E foi por isso que nada nos serviu de nada.
Porque o ódio já vivia dentro de nós,
Porque o ódio nos corroeu por dentro e nos matou...